quinta-feira, 26 de março de 2015

Ele se escondeu atrás da porta da sala de estar
Se esqueceu de quem ele era e de como tinha chegado até ali
Deixou o vento o levar, se perdeu sendo pipa
E longe da velha casa na árvore, percebeu por um instante que estava sozinho
Fez silêncio lá fora, e isso o enlouqueceu por dentro

Ela não tinha partido pra sempre, pois suas roupas estavam no mesmo lugar, sua escova de cabelo ainda em cima do criado mudo e o sorriso largo ainda estava pendurado no quadro vertical que colocara na parede do corredor norte da casa.
Ela apenas havia pego uma nuvem para navegar no céu, alta demais para ele ver. a mocinha tinha necessidade de voar alto, de sentir a temperatura do vento no rosto, de observar o mundo sozinha, calada.

O pobre personagem enlouquecido pensava que nunca mais os seus olhos á veria novamente, que jamais visitaria seus mundos lunares outra vez, que tudo tinha se perdido ao se ver abandonado. Foi quando o desespero entrou em casa... Fez festa, aumentou o som e dançou no centro da sala a noite toda com o seu terno vermelho carmim.
O desespero brindou em meu nome!
A casa tremeu, o vento bateu, o coração caiu... repousou no chão brutalmente.
ali rachou
ali ficou
ali morreu

- Mayy (31.12.2014)

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