sábado, 7 de dezembro de 2013

Aquela Criança


Eu gosto do cheiro do fim da tarde.
Essas pessoas em minha volta dão voltas em si mesmas e esquecem do por do sol.
Gosto desse vento fresco que faz alguns fios do meus cabelos se soltarem do meu coque, e gosto do cheiro de noite que vem se aproximando.
As pessoas em minha volta nem sabem que o sol já se deitou e deu seu espetáculo mais uma vez. 
Elas só sabem falar e falar, e quando se dão conta, a conta está em débito automático pra vida.
Elas bebem, fumam, mentem, roubam... elas não amam, nem vivem...
Compram e vendem a si mesmo para uma rotina já gasta de tanto usada em vão.
Aquela criança que acabou de passar pulando com o pai é que sabe viver de verdade!
Com certeza pulando daquele jeito encontre a lua que um dia eu já visitei. 
Espero que não lhe roubem a juventude, mesmo depois de velho.
O vento está cada vez mais forte e gelado... e eu não gosto do som que os carros dessa avenida fazem; me bagunça os pensamentos e fica pior quando se juntam com as músicas fúteis de suas caixas de som.
E se aquela criança quiser voar e alcançar as estrelas, ela poderá!
Se quiser ser um colecionador de sonhos, também será fácil para ele, pois é livre.
Livre da maldade, dos olhos maliciosos, livre da corrupção, do preconceito da crueldade humana.
Aquela criança sente o cheiro do por do sol e gosta do vento batendo no rosto.
Ela sente o gosto da noite e não tem dívida com a vida.
Eu gosto de ver o que ninguém vê.
Gosto de caçar pessoas com as mãos limpas de sangue.
Que tem suor no rosto de tanto jogar limpo com a vida.
Eu gosto das coisas simples, e ser o que sou, de dar o que tenho de melhor.

Gosto daquela criança, pois nossos olhos já brilharam assim uma vez, e acabamos nos esquecendo de nos esquecer daquilo que nos faz crescer. (Mayy 06.12.13)

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